Época de Jeroboão II

     Palavras de Amós, um dos criadores de Técua. O que ele viu contra Israel, no tempo de Ozias, rei de Judá, e no tempo de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel, dois anos antes do terremoto (Am 1,1).

     Jeroboão II reinou em Israel na época de 787- 747 a.C. Esse longo reinado foi um dos mais gloriosos e prósperos da história do reino do norte (Israel). Após anos de enfrentamentos militares com Judá e as nações (potências) vizinhas, Israel enfim gozava agora de relativa tranquilidade. Nesta época quem reinava em Judá (sul) era Ozias (787-735 a.C); no reino do norte (Israel) quem detém o poder é Jeroboão II. 

     Jeroboão II é da dinastia de Jeú que com devidas intenções aparentemente boas e alguns massacres galgou o poder (cf. Os 1,4! 2Rs 9-10) em 842. 
     Graças ao comércio com a Arábia, a Fenícia e o mar morto, e também às minas de ferro de Arabah, a riqueza do reino aumentava mutuamente e sensivelmente. Neste contexto a população tende a crescer, mas a estabilidade política e o desenvolvimento econômico do reino do norte (Israel) não impedem o aparecimento de profundas tensões sociais. “Assim, enquanto alguns se enriquecem muito e querem fazê-lo sempre mais, outros são praticamente condenados a ficar cada dia mais pobres” (SILVA, 2001, p. 15).
    A sociedade onde Amós está inserido é indiferente aos pobres a ponto de oprimir de tal maneira que pegavam como penhor suas roupas ou o que lhe restava no corpo:
   Eles se estendem sobre vestes penhoradas, ao lado de qualquer altar, e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas, na casa de seu deus (Am 2, 8).
    Esses ao qual o texto fala são os justos que, estavam tidos como culpados e acusados na porta pelo tribunal falho da jurisprudência que estava sendo subornado, e com isso o direito e justiça estava sendo corrompido e desviado do seu caminho de retidão ao qual Deus ama e quer o cumprimento da justiça. A jurisprudência tinha a função de propagar a justiça e direito como mostra Schwantes (2004, p. 90):
    Em jogo está a jurisprudência no portão (cf. 5, 12.15), a que tinha lugar em cada vila e cidade, decidindo autonomamente sobre as questões jurídicas que surgissem. A ela tinham direito todos os “homens livres” da localidade. “homens livres” eram, basicamente, os que tinham acesso à terra, à herança.
    O orgulho de Jeroboão II que levou o desenvolvimento e expansão do reino fez com que aumentasse os tributos e trabalho dos agricultores para o Estado. Neste contexto, quando o povo camponês era atingido por pragas,secas e outros males, eram levados ao empréstimo (endividamento) e tornavam-se escravos  para pagamento de dívidas.Por trás de um reino glorioso e majestoso (Israel), existiam obscuridades e tensões sociais revoltantes. O gemido dos pobres, magros/fracos e oprimidos chegam aos ouvidos de Iahweh que está sensível ao clamor dos pobres para defende-los como um Leão rugidor:
Ele disse: Iahweh rugirá de Sião, de Jerusalém levantará a sua voz, e murcharão as pastagens dos pastores e secará o cimo do Carmelo (Am 1,2).

Bibliografia
Aldina da Silva,  Amós: um profeta politicamente incorreto/ São Paulo, Paulus , 2001
Milton Schwantes, A terra não pode suportar suas palavras/ São Paulo, Paulinas, 2004
Bíblia de Jerusalém.

     Artigo publicado por Diego Lisboa de sua autoria.
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